Dois grandes casos marcaram a história judicial de dirigentes do PT: o Mensalão, julgado pelo STF em 2012, e a Lava Jato. Os desfechos foram opostos.

Mensalão: penas executadas

No julgamento da Ação Penal 470, encerrado em 2012, o STF fixou as penas de José Dirceu (10 anos e 10 meses), José Genoino (6 anos e 11 meses), Delúbio Soares (8 anos e 11 meses) e João Paulo Cunha (9 anos e 4 meses), segundo o Congresso em Foco.

Em 13 de novembro de 2013, o STF determinou a execução imediata das penas. No caso de João Paulo Cunha, a execução foi adiada por um embargo aceito pelo tribunal, de acordo com o Congresso em Foco.

Lava Jato: condenações anuladas

José Dirceu foi condenado por Sergio Moro em processos da Lava Jato, com penas que somavam mais de 23 anos. Em 28 de outubro de 2024, o ministro Gilmar Mendes anulou todas as condenações de Moro contra ele, por parcialidade do juiz, segundo o InfoMoney.

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto chegou a ter pena de 24 anos. A condenação foi anulada por Edson Fachin em 2024, e em 15 de agosto de 2025 Dias Toffoli anulou todos os procedimentos da Lava Jato contra ele, segundo a Band.

O ex-ministro Antonio Palocci, condenado por Moro a 12 anos, teve a anulação mantida pela Segunda Turma do STF, por 3 a 2, em 15 de agosto de 2025. A delação de Palocci segue válida, informou o SBT News.

Entenda: o que foi o Mensalão

O Mensalão foi o esquema de pagamentos a parlamentares em troca de apoio ao governo no Congresso durante o primeiro mandato de Lula. Ele foi denunciado em 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB). O caso chegou ao STF como Ação Penal 470, com dezenas de réus entre políticos, publicitários e banqueiros. O julgamento, em 2012, foi um dos mais longos da história do tribunal.

Entenda: por que a Lava Jato teve outro desfecho

A Lava Jato começou em 2014, investigando desvios na Petrobras, e grande parte dos processos foi julgada pela 13ª Vara Federal de Curitiba, então comandada por Sergio Moro. A partir de 2021, o STF passou a anular decisões dessa vara, por entender que alguns casos não deveriam ter sido julgados lá ou que houve parcialidade do juiz. As anulações de Dirceu, Vaccari e Palocci seguem essa linha.

No Mensalão, o julgamento foi feito diretamente pelo STF, e as penas chegaram a ser cumpridas. Na Lava Jato, as condenações foram dadas em primeira instância e depois anuladas pelo próprio Supremo.

A delação de Palocci

A anulação das condenações de Palocci não derrubou o acordo de delação que ele fez com a Polícia Federal. Na colaboração, ex-ministros e executivos podem descrever fatos em troca de benefícios. Como em qualquer delação, as afirmações só servem para condenar alguém se forem confirmadas por outras provas.

Consulte os perfis de José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, João Vaccari Neto e Antonio Palocci.