Cinco nomes da chamada velha política passaram pela Justiça na última década, com resultados bem diferentes.

Fernando Collor: preso e em domiciliar

O STF condenou o ex-presidente em maio de 2023 a 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o tribunal, ele recebeu R$ 20 milhões em vantagens indevidas em contratos da BR Distribuidora entre 2010 e 2014. Preso em Maceió em 25 de abril de 2025, segundo O Povo, passou à prisão domiciliar com tornozeleira em 1º de maio, por decisão de Alexandre de Moraes, de acordo com a Band.

Eduardo Cunha: condenado na Lava Jato

O ex-presidente da Câmara foi condenado por Sergio Moro em 30 de março de 2017 a 15 anos e 4 meses por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, segundo o Consultor Jurídico. Em novembro de 2017, o TRF4 reduziu a pena para 14 anos e 6 meses (Consultor Jurídico).

Sérgio Cabral: 430 anos em condenações

As condenações do ex-governador do Rio somavam 430 anos de prisão em dezembro de 2022. Naquele mês, como nenhuma havia transitado em julgado, o STF autorizou sua saída de Bangu 8 para prisão domiciliar, segundo O Povo e o Poder360.

Renan Calheiros: um réu, uma absolvição

Em dezembro de 2019, a Segunda Turma do STF aceitou por 3 a 2 denúncia contra Renan por corrupção e lavagem no caso Transpetro, com base na delação de Sérgio Machado, segundo a Agência Brasil. O relator Edson Fachin viu indícios apenas quanto a um repasse de R$ 150 mil, em 2010. A defesa nega. Em outro caso, de peculato, Renan foi absolvido por unanimidade em 2018 (Poder360).

Michel Temer: absolvido

Na ação da Operação Radioatividade, sobre contratos da Eletronuclear, Temer e outros sete réus foram absolvidos pela 12ª Vara Federal do DF em fevereiro de 2022. O juiz apontou que a denúncia não descrevia objetivamente os atos ilícitos, segundo a Revista Oeste.

Contexto de cada um

Fernando Collor foi presidente de 1990 a 1992 e renunciou em meio ao processo de impeachment. Mais tarde, foi senador por Alagoas. Eduardo Cunha presidiu a Câmara e conduziu a abertura do impeachment de Dilma Rousseff em 2015; teve o mandato cassado pelos colegas em setembro de 2016, por 450 votos. Sérgio Cabral governou o Rio de Janeiro de 2007 a 2014 e foi preso em 2016. Renan Calheiros presidiu o Senado em mais de um mandato. Michel Temer assumiu a Presidência após o impeachment de Dilma e governou até 2018; em março de 2019, chegou a ser preso preventivamente por alguns dias, no caso da Eletronuclear.

Entenda: trânsito em julgado

Uma condenação transita em julgado quando não cabe mais recurso. Desde 2019, o STF entende que a pena de prisão só pode ser executada a partir desse momento. Isso explica por que Sérgio Cabral, com condenações que somavam 430 anos, deixou o presídio em 2022: nenhuma delas havia transitado em julgado. Já Collor foi preso porque o STF considerou esgotados os recursos.

O balanço

Dos cinco, dois têm condenação mantida com prisão cumprida ou em curso (Collor e Cabral), um tem condenação confirmada em segunda instância com situação posterior não verificada nesta pesquisa (Cunha), um foi absolvido (Temer) e um teve uma absolvição e uma ação sem desfecho conhecido (Renan).

Fichas completas nos perfis de Collor, Cunha, Cabral, Renan e Temer.