Declarações do presidente Lula sobre mulheres voltaram a ser lembradas na reta final da campanha. Abaixo, quatro falas reportadas pela imprensa, cada uma com o contexto em que foi dita.
“Vá bater em outro lugar” (2022)
Em comício no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, em 20 de agosto de 2022, Lula disse: “Quer bater em mulher, vá bater em outro lugar, mas não dentro da sua casa ou no Brasil”. Antes, havia dito que mão de homem não foi feita para bater em mulher. A campanha disse que o vídeo foi editado; segundo o Poder360, o trecho não foi editado, e o jornal classificou a declaração como equivocada.
“Se o cara é corintiano, tudo bem” (2024)
Ao comentar uma pesquisa sobre aumento da violência contra a mulher após jogos de futebol, em 16 de julho de 2024, Lula brincou com a má fase do Corinthians: “Inacreditável. Se o cara é corintiano, tudo bem”. Dias depois, prometeu “fazer uma guerra” contra a violência de gênero, segundo O Povo.
“Mulherzinha” (2025)
Na abertura da Feicon, em 8 de abril de 2025, Lula relembrou um encontro com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, sem citar o nome dela: “eu encontro uma mulherzinha, sabe, presidente do FMI, diretora-geral do FMI, que nem me conhecia”, segundo o InfoMoney.
“Essa mulher bonita” (2025)
Ao anunciar Gleisi Hoffmann para a articulação política, em 12 de março de 2025, Lula a chamou de “essa mulher bonita”. A oposição criticou. Gleisi respondeu no X que repudiava “os ataques canalhas de bolsonaristas, misóginos, machistas” e disse não se sentir diminuída, segundo o Congresso em Foco.
Contexto
A primeira fala, de 2022, aconteceu num trecho em que Lula defendia a Lei Maria da Penha, de 2006, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica contra a mulher. A frase foi recortada e circulou nas redes, e o debate passou a ser se o recorte distorcia o sentido. Segundo o Poder360, o trecho divulgado não foi editado, mas o contexto completo mostra que ele falava contra a violência.
Kristalina Georgieva dirige o Fundo Monetário Internacional desde 2019. Lula usou o diminutivo ao lembrar uma projeção de crescimento do FMI para o Brasil que, segundo ele, se mostrou pessimista: ele disse que o fundo previa 0,8% e o país cresceu 3,2%. O InfoMoney registrou críticas ao tom e nenhuma explicação posterior do presidente ou do governo.
O padrão das respostas
Nas quatro situações, a reação seguiu caminhos diferentes. Na frase de 2022, a campanha alegou edição do vídeo. No caso do Corinthians, Lula respondeu dias depois prometendo combate à violência de gênero, sem anunciar medidas na mesma fala. No caso do FMI, não houve explicação registrada. No caso de Gleisi, foi a própria ministra que saiu em defesa do presidente.
Por que isso importa
Declarações públicas de chefes de Estado são registradas e reproduzidas, e moldam o debate sobre temas como violência contra a mulher. Reunir as falas com data, local e contexto permite que cada leitor confira o que foi dito e tire as próprias conclusões.
Veja os registros completos no perfil de Lula e no perfil de Gleisi Hoffmann.

