O governo Lula liberou R$ 354 bilhões em 2026 em linhas de crédito, subsídios, programas sociais e renúncias fiscais, segundo o Gastômetro do Estadão, ferramenta do jornal que soma os desembolsos anunciados pelo governo federal no ano da eleição. O valor foi atualizado em 13/10/2026, puxado pelo perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs).
Somando o custo anual estimado da PEC da tarifa zero no fim de semana, anunciada por Lula a 10 dias do 2º turno, cerca de R$ 13 bilhões por ano, o total chega a R$ 367 bilhões.
A comparação com Saúde e Educação
O Orçamento federal de 2026 prevê R$ 245,6 bilhões para ações e serviços públicos de saúde, segundo a Medicina S/A, e R$ 133,7 bilhões para a educação, de acordo com a CNN Brasil. Dos recursos da educação, R$ 87,3 bilhões vão para o ensino básico e R$ 12 bilhões para o programa Pé-de-Meia.
Os R$ 367 bilhões equivalem a 1,5 vez o orçamento da Saúde, 2,7 vezes o da Educação e 97% dos dois somados (R$ 379,3 bilhões). Se fosse usado o valor de R$ 80 bilhões para a tarifa zero, que circulou sem confirmação, a soma iria a R$ 434 bilhões, acima de saúde e educação juntas.
O que diz o governo
Em nota ao Estadão, a Secom afirmou que essas despesas não têm fins eleitorais, que são medidas essenciais para a economia, o combate à evasão escolar e o amparo social, e que os recursos retornam aos cofres públicos via arrecadação.
O que entra e o que não entra na conta
Os R$ 354 bilhões já foram liberados ao longo de 2026. Os R$ 13 bilhões da tarifa zero são um custo anual futuro, que só existirá se a PEC for aprovada pelo Congresso. O Gastômetro também é diferente dos gastos de campanha declarados ao TSE, que têm teto de R$ 133 milhões.
Entenda: o que o Gastômetro soma
O Gastômetro do Estadão reúne medidas anunciadas pelo governo federal em 2026 que liberam dinheiro ou abrem mão de arrecadação: linhas de crédito, subsídios, programas sociais e renúncias fiscais. Renúncia fiscal é quando o governo deixa de cobrar um imposto, por isenção, desconto ou perdão de dívida. O valor não sai do caixa, mas também não entra. O número é atualizado pelo jornal a cada novo anúncio, por isso a matéria pode mostrar valores diferentes em datas diferentes.
Entenda: os pisos de Saúde e Educação
A Constituição obriga a União a aplicar um mínimo em saúde e em educação. Na saúde, o piso federal é de 15% da receita corrente líquida. Na educação, o artigo 212 da Constituição fixa em 18% da receita de impostos o mínimo da União para a manutenção e o desenvolvimento do ensino. Os valores de R$ 245,6 bilhões e R$ 133,7 bilhões usados na comparação são os previstos no Orçamento de 2026 para essas áreas.
Os números, lado a lado
Gastômetro (até 13/10/2026): R$ 354 bilhões. Tarifa zero no fim de semana (estimativa anual): R$ 13 bilhões. Soma: R$ 367 bilhões. Saúde (Orçamento 2026): R$ 245,6 bilhões, o que dá 1,5 vez. Educação (Orçamento 2026): R$ 133,7 bilhões, o que dá 2,7 vezes. Saúde e Educação somadas: R$ 379,3 bilhões, o que dá 97%.
Por que a comparação importa
Comparar um gasto com o orçamento de áreas que todo cidadão usa ajuda a dar escala a números que, sozinhos, são difíceis de visualizar. A ressalva é de método: o Gastômetro mistura dinheiro que sai do caixa, como subsídios, com crédito que pode voltar e com receita que deixa de entrar. Por isso a comparação mostra ordem de grandeza, e não que o mesmo dinheiro poderia ser simplesmente transferido para hospitais e escolas.
O que acontece agora
O valor do Gastômetro continua sendo atualizado até o fim do ano eleitoral, e a tarifa zero depende da aprovação de uma PEC. O Raio-X Politik vai atualizar a soma quando houver novos números oficiais.
Quem paga é o contribuinte. Até 27 de março de 2026, os brasileiros já haviam pago R$ 1 trilhão em impostos federais, estaduais e municipais, três dias antes que em 2025, segundo o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo, noticiado pela Mercado & Consumo. Acompanhe a arrecadação no Impostômetro do Raio-X Politik.
